segunda-feira, 29 de julho de 2013

Conclusão, que não é conclusão de fato!


Quando entramos na disciplina o professor gentilmente nos alerta sobre as mudanças que iriam ocorrer em nossas formas de pensar, além de nos avisar que ao tratar com cultura precisamos nos livrar de todos os pré-conceitos que carregamos conosco.
E de fato tudo o que nos foi falado no início da disciplina era verdade, é impossível não modificar a forma como encaramos a cultura e a mídia ao ler os textos da disciplina e ao vivenciar os seminários e bate papos com os convidados.
A cultura está presente em todos os aspectos da nossa vida mesmo assim passamos por ela sem nos aperceber que ela nos molda ao seu bel prazer. A mídia muitas vezes encarada como a vilã não é tão má quanto queremos pensar, a mídia como produto da cultura só tem poder se atribuímos esse poder a ela, ela é pautada em nossos gostos, em nossos desejos a mídia é feita por quem a consome.
Saio dessa disciplina com um olhar diferente para o mundo, com a mente aberta e disposta a aprender sempre mais e com a consciência do meu papel como consumidora da cultura.

Convidados Especiais - Alan Barros, Jéssica Colaço e Juscelino Filho - 24/07/2013


Sem dúvida a palestra mais difícil de ser posta em palavras, o medo de ter entendido tudo o que os colegas falaram de modo errado, a apreensão de não fazer jus ao seminário me acompanha nesse momento.
Os concludentes do curso de Jornalismo apresentaram neste último seminário seus trabalhos de conclusão de curso, livros reportagens com temas relacionados à cultura. Durante o seminário eles falaram sobre o processo de construção desse livro e a motivação que os levou até eles.
O primeiro a falar foi Alan Barros seu livro tem como tema a mítica que envolve o sonho de se tornar um jogador de futebol. Relatando a história de três pessoas e comparando com as possibilidades do resultado de um pênalti (alusão ao título do livro ‘Na Marca do Pênalti: o sonho de ser um jogador de futebol), Alan começou a palestra falando sobre as peneiradas que aconteceram e serviram de ambientação para o leitor do livro na introdução, pelos relatos vimos que muitas crianças ainda sonham em serem jogadores de futebol, mas infelizmente são poucas as que conseguem fazer sucesso e fazer disso uma profissão. Muitas vezes influenciadas pela mídia e pelo sonho dos pais, as crianças não tem noção do que é necessário e quais os sacrifícios terão que fazer para conseguirem virar o próximo Neymar. Pelo relatado em sala Alan mostrou em seu livro quais os caminhos e as dificuldades que esses sonhadores encontrarão.
Logo depois Juscelino Filho (tcc.Juss) nos contou sobre o seu livro de memórias do Colégio Militar de Fortaleza. Juss quis com esse livro desmistificar a ideia de que um colégio militar é um quartel e que os alunos que passam pelo colégio sempre têm histórias boas para compartilhar. Pelos relatos de Juss é notável o vinculo que ele tem com o colégio e que todos os alunos que passaram por lá tem o mesmo carinho e a mesma memória saudosa. Apesar da imagem de aparente rigidez que inspiram a instituição pelo discurso apresentado pelo convidado podemos ver que as memórias resgatadas em seu livro o Colégio Militar é como qualquer outro colégio e as regras que geram a rotina do colégio são pequenas em comparação a grandiosidade que o colégio representava para os alunos.

Jéssica Colaço foi a última a falar o seu livro também traz aspectos memorialistas como o livro de Juss, porém Jéssica abordou a desmitificação de um dos bairros pertencentes a periferia da cidade, a Barra do Ceará. Jéssica contou que a motivação para escrever o livro surgiu de uma pauta no jornal onde ela trabalha. Ao visitar o bairro para a matéria Jéssica percebeu que o bairro mostrado na mídia não representava o bairro que ela conheceu. O bairro violento, os problemas sociais, o tráfico, o roubo, nada disso fazia jus ao que o bairro representava. Contando o crescimento do bairro a partir do Rio Ceará, Jéssica buscou na memória dos moradores antigos do bairro a verdadeira Barra do Ceará.


Convidado Halder Gomes - 12/07/2013


Infelizmente não pude estar presente na palestra que mais deseja ir, porém irei relatar um pouco sobre o que sei sobre Halder e sua trajetória no cinema, bem como a valorização da cultura cearense através do cinema.
Cineasta cearense, formando em administração e pós-graduado em marketing, começou sua carreira no cinema como dublê, Halder também é mestre em Taenkwondo, suas vivências e experiências no cinema foram sua principal fonte de informação sobre a prática de fazer cinema.  Halder tem participação em diversos filmes conhecidos e é um dos seletos diretores brasileiros que já tiveram a oportunidade de dirigir um filme em Hollywood.
Em seu filme Cine Holiúdy, Halder retrata histórias do interior do Ceará na década de 70, mostrando a cultura interiorana cearense, os costumes e o modo como o cearense é capaz de encarar os problemas da vida com bom humor e simplicidade.
Halder em suas entrevistas fala sobre a dificuldade que é fazer cinema no Brasil, já que apesar do incentivo do governo em alguns pontos, o cinema brasileiro encontra grande dificuldade com a pirataria pouco combatida de forma ineficaz no país.
É triste ver como o governo estadual não demonstrou interesse em produzir um filme que retrata a memória e a cultura do povo cearense, os investimentos vieram do Rio de Janeiro, mas como foi discutido em sala de aula muitas vezes a política que temos visto do nosso governo só valoriza coisas que trarão um retorno lucrativo para os políticos.
Os incentivos fiscais do governo cearense priorizam não a cultura típica do estado, nem a memória do povo, mas a valorização do estrangeiro, infelizmente em Fortaleza prega-se a cultura de que só é bom o que vem de fora



Convidado Fauller - 10/07/2013


Formado pelo Colégio de Dança do Ceará o Bailarino e coreografo da Cia. Dita Fauller trabalha utilizando a nudez para expressar discursos políticos, sociológicos e filosóficos. Trabalhando a construção da imagem do corpo usando diferentes linguagens. Em sua palestra Fauller contou como nasceu a Cia.Dita e de onde surgiu a ideia de trabalhar a nudez no palco.
Em seus trabalhos Fauller procurar mostrar a relação que o corpo tem com a sociedade, é notável no discurso de Fauller como artista que a nudez é algo comum que não há nenhuma mítica em torno dela.
Seus trabalhos sempre trazem um olhar crítico sobre a política e as construções sociais e culturais da sociedade e as relações delas com o corpo. Como o corpo e o meio interagem e se modificam.
Ao ser questionado sobre o nu artístico Fauller deixa claro o posicionamento de que não existe essa expressão, o nu é nu e ponto. Pelas palavras de Fauller pode se entender que o conceito de nu artístico foi criado para tornar perante a sociedade a nudez em espetáculos ou em fenômenos culturais aceitáveis.
Em sua forte o posição ao que pensava toda a classe contra o seu discurso podemos ver na fala de Laraia (2001) quando ele afirma que o homem só compreende e entende a cultura própria dele rejeitando a cultura do outro quando ela se opõe ao que ele pensa.
Fauller não conseguia aceitar que a imagem que os alunos tinham do corpo e da nudez ainda é aquela ‘imposta’ por nossa cultura, pela religião, a mídia e a criação recebida de nossos pais.
Quando questionado como foi à recepção do público ao primeiro trabalho, nos foi relatado que em principio ninguém entendia, mas aos poucos as pessoas foram entendo a construção do discurso proposto pela dança.
Em seu trabalho tudo é pensando e planejado, podemos ver pela fala do convidado que tudo é proposto para fazer o público repensar a sua ideia e os seus pré-conceitos ante ao espetáculo. Por estarem fortemente relacionados às construções sociais seus espetáculos sofrem constantes modificações de acordo com as mudanças ocorridas na sociedade.
Todo o discurso construído por Fauller e sua companhia é pautado na realidade social e na cultura do homem, construído através da partilha de experiências pessoas e relatados em forma de dança, e proposto para pessoas que possa entender aquele discurso ou estejam abertas a tentar compreende-los.
Em seu último espetáculo Fauller vai trabalhar o sexo, o erotismo e a pornografia baseado em tudo que nos apontou o convidado e no discurso dele, pode se entender que o novo espetáculo abordará um tema que ainda é considerado tabu na sociedade, mas, além disso, o trabalho aborda notavelmente a sexualidade humana que vem conosco desde a infância, mas que aprendemos a manter reservada ou tratar como algo ruim por conta de um discurso cultural da sociedade e principalmente da religião.
Referência:LARAIA, Roque de Barros. Cultura:um conceito antropológico.14.ed.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

Convidado Karla Karenina - 05/07/2013


Karla é atriz, cantora, bailarina, terapeuta, professora entre outras coisas, Karla é uma artista multifacetada que tem influencias da cultura erudita e da cultura popular. Ficou conhecida em todo o país ao interpretar Meirinha na Escolinha do Professor Raimundo.
Karla passou em sua formação artística por diversos modos de representação da cultura, até chegar à mídia televisiva que segundo a atriz é onde interpretar requer mais cuidado para se manter no personagem, pois não existe público para que ela possa avaliar sua interpretação.
Seu pai professor foi uma grande influência artística para a convidada, foi inspirada pelo pai que ela começou a escrever poesias.
Karla montou o discurso de seus personagens ao longo de sua vida influenciada pelos vizinhos e conhecidos no interior. É interessante ver que Karla ao criar Meirinha quis valorizar a cultura interiorana, e não estereotipar o cearense como ocorre em muitos casos na mídia.
Na montagem dos personagens da atriz podemos ver  claramente o que Laraia (2001) fala a respeito sobre as influências que a cultura tem sobre o comportamento, sobre a montagem do nosso discurso e o nosso modo de ver o mundo. A personagem criada cresceu de tal forma dentro da atriz que ganhou vida própria.
Um ponto marcante na palestra de Karla é o de valorização da cultura cearense, segundo a atriz infelizmente Fortaleza não tem essa cultura arraigada como as pessoas do interior tem, em Fortaleza o que predomina é o que vem de fora. Para Karla Fortaleza precisa voltar a descobrir a cultura cearense.
Karla é sem dúvida uma representação do fenômeno cultural em todas as suas manifestações, graças à formação cultural e artística pelos quais a artista passou ao longo da sua vida.
Referência:LARAIA, Roque de Barros. Cultura:um conceito antropológico.14.ed.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.


Convidado Rafael Luis - 03/06/2013


O Jornalista cearense é dono do blog ‘Verminosos por Futebol’ em seu bate papo com a turma falou sobre a trajetória de sua carreira como jornalista e a paixão pelo futebol. Rafael sempre soube que queria trabalhar como jornalista esportivo e deixou como marca em seu trabalho no Jornal O Povo e em seu blog um olhar sobre o esporte além do comum sobre as matérias futebolísticas.
Com a expressão típica da cultura cearense que significa a paixão por algo, há quem pense que o blog se atem somente a narração e comentários de jogos, porém o conteúdo postado vai muito além das quatro linhas que dividem o campo e do tempo de 90 minutos de jogo, em suas matérias Rafael procura mostrar toda a cultura , a magia que envolve o futebol e as curiosidades sobre o tema.
É notável que mesmo em todo o seu ‘verme’ o convidado  mantém um posicionamento crítico marcante acerca de sua paixão, e sobre o envolvimento político e os jogos de interesse que cercam o futebol.
Rafael destaca na palestra a importância que as mídias sociais tiveram para o crescimento do blog, não somente no estado, mas em todo o Brasil e até internacionalmente, como ele mesmo frisou na palestra é necessário além de criar fazer uma divulgação associando o que está escrito no blog ao dono, em qualquer lugar que esteja disponível.
Durante o seminário o convidado fala muitas vezes que procura tanto no blog como em seu trabalho fazer matérias que fujam do factual no futebol, não fazer mais do mesmo, para o convidado é necessário ter um olhar diferente dos outros sobre o mesmo assunto para poder fazer sucesso. O sucesso do site demonstra que a escolha jornalística de Rafael tem dado muito certo. A mídia atual é convencional em suas matérias, a sempre uma mesma matéria saindo em todos os canais sem muita diferença. Isso acontece, pois na mídia ocorre uma seleção do que vai ser mostrado ao público, é decidido mostrar ou inventar algo a ser visto na mídia (Feitosa, 2011). Assim podemos ver que o diferencial que marca o sucesso de Rafael reside em sua escolha de não seguir um padrão.
Como torcedor todos somos frutos da cultura, a ligação com o futebol é um posicionamento cultural, geralmente hábito incutido nas crianças desde a infância pelo pai, em Rafael podemos ver isso, mas também alguém cujo repertório cultural já foi modificado para olhar o futebol além daquilo que somos ensinados na infância.

Referência: FEITOSA,Luiz Tadeu.Mídia:espelho da cultura. PASSAGENS, Fortaleza, v.2. jun/2011.

Convidado Edgel Joseph - 21/06/2013


Jornalista, apresentador, dançarino, modelo, estilista e com tantas outras facetas a serem vistas foi assim que vi Edgel, extrovertido e alegre o convidado nos contou sobre sua vida e seus projetos. Formado em comunicação social pela UFC, Edgel sempre soube o que queria ao entrar na Universidade. Ao longo dessa caminhada encontrou quem dissesse que sua personalidade e seus trejeitos escandalosos típicos da comunidade gay seriam um empecilho em sua caminhada, Edgel, porém não se deixou abalar e foi atrás dos seus sonhos sem alterar seu modo de ser.
Apesar de todo o estereótipo gay que se mostrou durante o seminário é notável em Edgel que sua personalidade vai muito além daquilo que vimos. Completamente consciente de seu papel na mídia, Edgel falou sobre o seu trabalho como Hostess em uma boate da cidade e como isso afetou o seu trabalho como apresentador na TV Diário, segundo o convidado apesar de ter enfrentado algumas críticas, um trabalho nunca se misturou com o outro, porque ele ia para a boate se divertir e trabalhar, não interpretar algum papel.
É interessante ver que sua escolha de trabalhar com mídia de entretenimento sempre esteve presente, apesar de sua escolha sexual Edgel nos mostra que é capaz de entreter qualquer público. Suas matérias não atendem ao óbvio da mídia, suas pautas não caem na pasteurização que acaba ocorrendo na mídia de entretenimento ao tentar enquadrar certos temas para o público televiso. Ele foge ao comum e busca não tratar o entretenimento com o sensacionalismo que é tratado pela mídia atual.
Segundo Laraia (2001, p.45) “O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquiridos pelas numerosas gerações que o antederam.” Edgel é produto cultural e isso fica evidente em todas as suas falas e, assumidamente gay e com todos os seus trejeitos o seu sucesso perpassa o estereótipo. Os pré-conceitos da sociedade não barram seu crescimento nem estereotipam seu trabalho, em seu discurso em sala podemos ver a sua criação cultural em sua posição crítica ao debater sobre as manifestações que ocorriam no período. E o papel da mídia ao relatar esses fatos, Edgel se mostra completamente ciente do papel influenciador da mídia e de como ela mostra a realidade que quer mostrar em uma matéria.


Referência: LARAIA, Roque de Barros. Cultura:um conceito antropológico.14.ed.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. p.45.